Tudo bem em não ter nada para fazer!

 

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Vamos voltar à nossa infância, o quanto tínhamos tempo livre para aguçar a nossa criatividade e preencher aquele tempo em que nada tínhamos para fazer. Você teve esse tempo na sua vida?

Me lembro que eu tinha tempo para brincar na rua, na casinha do jardim, andava de bicicleta com meus primos, carrinho de rolemã, jogávamos ping pong, pebolim, queimada, esconde esconde, amarelinha, desmontávamos o sofá da casa da minha avó e transformávamos as almofadas em um grande navio no chão da sala de TV. 

Quando eu nada tinha para fazer, telefonava para uma amiga e a convidava para brincar na minha casa, ou chamava a vizinha, os primos, mas a gente tomava o tempo da gente brincando e dando asas para a nossa criatividade, imaginação, desejos e sonhos. Desta forma a gente construía o nosso mundo e se apoderava dele através das brincadeiras, pelo faz de conta vivíamos as nossas dificuldades, nossos medos, nossos desconfortos. Pois é assim que a criança aprende a enfrentar o seu mundo, externalizando as suas dificuldades pelas brincadeiras, testando suas possibilidades através do faz de conta. Assim ela vai se fortalecendo e se preparando para lidar com o mundo lá fora na hora certa.

Desta forma também a criança vai construindo as suas defesas internas, as suas estratégias em lidar com conteúdos importantes e profundos que só ela conhece. A criança vai se conhecendo e tornando-se segura de si mesma, preparando a sua autoestima e autoconfiança.

Mas e agora? Como meus filhos e meus netos vão vivenciar isso tudo se preferem a telinha do celular e do Ipad ao brincar de boneca ou de carrinho no posto de gasolina?

Quero alertar aos pais que as crianças precisam de tempo ocioso para que possam treinar suas habilidades criativas o suficiente para preencher o seu próprio tempo com algo que ela mesma construa para a sua vida, algo que ela mesma escolha e experiencie. O mundo não virá para ela todo prontinho, muito pelo contrário, ela vai precisar ser extremamente criativa e ter muito repertório emocional para encontrar as suas próprias respostas para o que acontecer inesperadamente na sua vida.

O mundo da telinha vai trazer essas experiências à eles?

O que estamos permitindo que aconteça na vida deles?

Essas são duas questões necessárias para repensarmos os valores que estamos deixando para eles. Nós somos os únicos que podemos mudar os hábitos e criar oportunidades para que nossos filhos não aprendam que a vida é entediante ao ponto da gente precisar se isolar numa telinha.

Tirar os nossos jovens do tédio é um esforço absurdo, portanto creio que é necessário desde muito cedo equilibrar e orientar todos os aspectos da vida….por etapas, cada coisa no seu devido tempo e dentro de determinadas necessidades. Assim caberá o smartphone apenas quando vocês pais acharem necessário e não ceder porque o amiguinho tem e eu não consigo falar não para o meu filho!

 

Voltamos na próxima semana!

 

Abraços de Girafa!

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Formação Ética. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.