O vício dos games e das telas

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Especialistas do comportamento humano estão preocupados e têm se dedicado aos estudos e pesquisas sobre os impactos do uso contínuo e exagerado das telas e videogames.

Os neurocientistas nos alertam sobre os efeitos do tempo de uso desses dispositivos ao desenvolvimento cerebral e afirmam que o uso abusivo da internet pode ocasionar a reprogramação da forma com que nosso cérebro funciona.

Os vícios acarretados por estas práticas estão associados a mudanças funcionais e estruturais cerebrais, envolvendo o processamento emocional, atenção executiva, tomada de decisões e controle cognitivo.

Cientistas descobriram que ao jogar videogames, ocorre a  liberação da Dopamina, a famosa substância responsável pelo prazer, e estimula o sistema de recompensa do cérebro. Esses efeitos são comparados aos mesmos efeitos do consumo de drogas para um viciado. O diretor de neurociência da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Dr Peter Whybrow, descreve as telas como a "cocaína eletrônica".

O problema começa quando o tempo de conexão digital, substitui o tempo de interação social da criança e do jovem, quando ao invés de se relacionar com amigos e família ao vivo, prefere se isolar no mundo digital. Neste momento começamos a ter um alerta de que é necessário tomar atitudes rápidas e firmes.

Não existe uma única abordagem ou receita para afastar as crianças e jovens das telas, cada caso é um caso e cada ser humano é único, porém podemos discutir algumas possibilidades.

Caso a obsessão seja algo que para vocês esteja fora do controle, acredito ser mais viável retirar os aparelhos do alcance deles enquanto não puderem estar por perto ou alguma pessoa gerindo o tempo e conteúdo de acesso. Mas nem sempre isso é possível, pois hoje até tarefas escolares precisam dessa ferramenta de acesso, portanto cada família deve verificar o que cabe ou não cabe dentro de suas possibilidades.

Seja qual for a sua abordagem e decisão tomada de restrição ao uso desses aparelhos, precisará manter-se firme e consistente em seu posicionamento. No início haverá muita resistência, mas o tempo vai ser sábio e trará bons resultados, mantenha-se firme na sua decisão.

Com o tempo limitado e supervisão adequada, você poderá acalmar a ansiedade e a fome por conexão do seu filho.

Se houve um descontrole de tempo, infelizmente você vai precisar tomar as rédias e colocar limites precisos e claros, seja firme!

O melhor é não aceitar as provocações que virão, lembre-se de que eles estão obcecados pelo uso e isso causa dependência!

Virão crises de choro e até birras, mas isso é absolutamente normal quando algo que estava fora do controle foi subtraído da vida deles.

E tudo bem caso aconteça esse descontrole, o mais importante é que você foi capaz de identificar a necessidade de alterar algo que estava fora da sua percepção. Não se sinta culpado, seja firme, pois o adulto da relação é você!

Faça um planejamento incluindo outras atividades físicas na vida de seus filhos, pois a sensação causada de bem-estar através dos exercícios físicos vão compensar a abstinência do uso dos games e telas.

Outras atividades que vocês, família, possam realizar juntos irá trazê-lo de volta para o quanto é prazeroso o sentimento de acolhimento familiar, e o quanto para vocês, o bem-estar deles importa!

O fundamental é, sem dúvida, não deixar para cuidar desta questão muito tarde a ponto de não ser possível intervenções sem a ajuda de um profissional da saúde.

Muitas vezes, quando os pais se dão conta, seus filhos estão completamente viciados e presos a esse mundo e acabam esquecendo inclusive de cuidados básicos de higiene e alimentação.

O  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP oferece um  programa para o tratamento dos chamados "heavy users", usuários com dependência de Internet. “Começamos a notar um aparecimento progressivo desta queixa entre os pacientes”, afirma o professor Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e coordenador da equipe responsável por essa especialidade junto ao Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, do Instituto de Psiquiatria do HC.

“Os dependentes usam a rede de forma excessiva como uma ferramenta social e de comunicação, pois têm uma experiência maior de prazer e satisfação quando estão online”, explica o psicólogo.

Muitos jovens chegam ao Hospital em péssimas condições e a ponto crítico de dependência.

Em recente reportagem à revista Isto é, o especialista explica que, no caso dos dependentes, há uma tendência na utilização da Internet como meio primário para aliviar tensão, depressão, baixa auto-estima, timidez, insegurança e apatia. “Como a capacidade de tolerar frustrações varia de uma pessoa para outra, as reações também se alternam diante de um mau resultado ou da dificuldade de perder”, informa. “No mundo digital, tudo é passível de ser reconstruído: a pessoa controla seu ambiente e, muitas vezes, prefere assumir novos papéis, sendo, portanto, mais fácil de ser bem-sucedido”.

Tantas pessoas usando esses dispositivos de forma desenfreada que está surgindo um fenômeno que começa a chamar a atenção dos estudiosos. Trata-se do vício específico em celular e da nomofobia, nome dado ao mal-estar ou ansiedade apresentados por indivíduos quando não estão com seus celulares.

No livro “Vivendo Esse Mundo Digital”, o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, que é também o coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas, apresenta uma das primeiras referências ao tema. Nele, estão descritas as consequências dessa dependência. “Os usuários estão se distraindo com facilidade e têm dificuldade de controlar o tempo gasto com o aparelho”, escreveu o especialista. A obra também pontua os sintomas da dependência. O que assusta é que eles são muito parecidos com os manifestados por dependentes de drogas. 

Aconselho aos pais e educadores, a leitura desse livro.

 

Até a próxima semana!

 

Abraços de Girafa!

 

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Formação Ética. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.