O medo é necessário!

 

Programa Mamãe Girafa - Postagens Blog_Prancheta 1 cópia 2

O medo é uma das cinco emoções básicas que o ser humano vive diariamente. Eu diria que o medo é necessário para que exista a vida. Quem não tem medo de perder a própria vida, não vai cuidar dela, certo?

O medo nos torna vivos, e nesse sentido podemos nos dar conta de como é necessária e positiva uma emoção que a maioria apenas a vê como negativa.

Logicamente que o medo que estamos vivendo neste momento do coronavírus, está mais vivo do que nunca e todos estamos em confinamento justamente pelo medo de perdermos a vida, medo de adoecermos, medo de contaminar nossos idosos, medo de morrer!

Mas de muitos outros medos que estamos vivendo, cada indivíduo de uma família tem o seu medo próprio, aquele que está dominante além do medo da não saúde física.

Vamos encontrar o medo da solidão, o medo da fome, do desemprego, da pobreza, da violência, do desamparo, são tantos outros medos que tomam nossas vidas. 

O medo que causa insegurança diante do dia seguinte, como será o amanhã? E se eu contrair a Covid-19? E os meus filhos? E se meus pais ficarem doentes? E estes também são os pensamentos dos nossos filhos: como estão meus avós, meus amigos? Nossa... quanta gente morrendo e os números a cada dia maiores, e assim o medo vira pânico, caso você não tenha como driblar esse sentimento de perda, insegurança, solidão, descontrole, fome, dor, enfim, é preciso fazer alguma coisa com tudo isso.

Comecei o texto dizendo que o medo é necessário, o que precisamos equilibrar é o quanto de medo iremos nos servir. Como uma régua, onde a falta é tão perigosa quanto o excesso. Assim, ser exageradamente destemido pode ser tão negativo quanto ter pavor ou terror!

A questão principal é como regular o medo para que ele exista na sua devida proporção, adequada a determinada situação para que não falte coragem de enfrentá-lo, mas que isso não se torne pânico. Ou para não desprezar a verdadeira gravidade de uma situação, se colocando em risco de vida. 

O que podemos fazer para minimizar essas emoções negativas? Precisamos oferecer ferramentas para nossos filhos, além de encontrar as nossas próprias ferramentas, pois ao encontrar as nossas, eles se identificam e nos seguirão. Ao apreciar o nosso manejo em enfrentá-las, eles identificarão o quanto nos dedicamos e que artifícios usamos para lutar contra o que é negativo e isso se transformará em inspiração e conexão. 

Muitas ferramentas estão disponíveis para nossos alunos através dos programas de educação emocional da escola, como as técnicas de respiração e a pausa positiva. Em casa é importante reforçar algumas estratégias já conhecidas por eles. Há muita coisa nos materiais de educação emocional que alguns grupos levaram para casa. As professoras e os tutores, no caso dos alunos maiores, são os responsáveis por garantir que a programação para cada fase continue, principalmente agora que estamos forçosamente distanciados. 

Reconhecer seus medos para seus filhos já é possível, sem mesmo que você precise nomeá-los, mas reconhecer que você também sente medo e que vai entender os medos deles, abrir seu coração para ouvir. A escuta atenta como o nome diz, exige atenção, e para isso é necessário conexão total com eles. Mas a conexão só existe com a real intenção.

Me refiro sobre a conexão através da comunicação não violenta, que eu chamo de Girafês, linguagem amorosa, ou linguagem compassiva, e você pode recorrer aos textos já postados aqui sobre esse assunto.

Por enquanto, vamos nos esforçar para estarmos presentes com a intenção genuína de ouvi-los e abrir espaço para a compreensão de que tudo bem sentir medo, e encorajá-los a falar sobre isso com vocês! Sem julgamentos precoces, sem avaliar, sem aconselhar, sem desencorajar, apenas estar presente e saber escutar, que é diferente de apenas ouvir.

Olha quanta experiência valorosa os tempos difíceis nos traz! Aproveitem estes momentos para estreitar os vínculos familiares e elaborar pensamentos mais otimistas. Sem medo de se aventurar, sem medo de conviver, e amar.

 

Abraços de Girafa!

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

Picture of Ana Cláudia Favano
Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Especialista em Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Etica. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.