Estamos prontos para o retorno das atividades presenciais?

 

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Quais são as consequências do distanciamento social para a nossa vida?

 

O distanciamento social reduz a transmissão do vírus, porém aumenta a nossa ansiedade, a nossa frustração e a nossa solidão. Tenho acompanhado as necessidades dos nossos jovens alunos que expressam diariamente o desejo do retorno, do contato presencial com os colegas e todos da escola, e o que vejo é que realmente estão expressando um enorme desejo de retorno ao normal, algo que jamais esperaram sentir ou desejar, ir para a escola se tornou prioridade nas necessidades individuais de cada um deles! 

Junto a tudo isso pode vir o aumento da agressividade, ansiedade, depressão, uso de drogas, vontade de comer, preguiça e acomodação.

 

Pode ocasionar também a queda significativa na imunidade à infecções. Estar em isolamento afeta negativamente a nossa imunidade, na medida em que nos fragiliza emocionalmente. Todos sabem que os fatores emocionais derrubam a nossa imunidade!

 

Estudo recente da neurociência demonstra que os níveis hormonais no corpo humano sofrem alterações por conta do isolamento social. Em exames mais específicos registrou-se que as imagens eram similares às imagens cerebrais de pessoas submetidas a jejum forçado. O ser humano por si só, na sua essência, depende da convivência social para se desenvolver e para o seu bem estar.

 

Mas fomos obrigados a nos distanciar, exatamente como a situação de jejum forçado, e a "fome", a necessidade de nos conectar é extremamente viva em todos nós. Portanto, vivemos situação de privação profunda de sociabilização. Vivemos o luto da nossa liberdade!

 

Paralelo a isso, muitos compensam essa falta com o aumento de ingestão de substâncias que podem ser ou não nocivas, ou aumento de práticas não saudáveis de alimentação, sono, sedentarismo, assim como outros agem praticando atividades mais saudáveis.

 

Muitos aproveitaram esse tempo e se reinventaram, procuraram algo que fosse contributivo para tornar a dor desse luto menor e mais suportável. Muitos encontraram em si mesmos, novas habilidades e hoje reconhecem em si próprios novas competências para a vida! 

 

As pessoas, portanto, lidaram de maneiras singulares dentro do que foi possível reagir. Ouvi histórias de novas conquistas e outras de desânimo.

 

Quando vislumbramos um retorno, começo a pensar nos sentimentos que levaremos conosco desse período que passamos e como iremos agir mediante um novo contexto. Estamos reféns da vontade alheia, e dependemos das autoridades para liberação gradual das atividades escolares presenciais. Começamos a planejar o retorno próximo, mas o próximo cada vez se torna mais longe, e tudo muda a todo momento. A insegurança é algo que nos rodeia e não aceitar a desesperança é nosso caminho atual.

 

Assim como não foi agradável nos isolar, não será também o retorno.

 

Como estamos nos preparando emocionalmente? 

 

Somos animais sociais e o contato físico é fundamental e necessário para satisfazer as nossas necessidades e desenvolver a confiança. As relações dependem de contatos físicos, abraços, apertos de mãos, beijos, o ser humano acaba sempre se tocando enquanto fala, isso vai ser diferente? 

 

Juntamente com o retorno e com o contato, poderá vir  sentimentos de medo e nojo, normais para nos proteger de um risco real, que é contrair uma doença que está em jogo. Por conta de manter a nossa segurança física, sentiremos medo, nojo, repulsa, desgosto, e como vamos lidar com isso? 

 

O mesmo nojo sentido quando vemos uma comida podre, um inseto que nos amedronta, um cheiro que nos desagrada, e esse tipo de reação causará certa superioridade moral nas pessoas, afastando-as impulsivamente. 

Estudos psicológicos recentes acompanham esse fenômeno da Covid-19. O sentimento de nojo influencia a maneira que formamos a nossa opinião sobre as pessoas e podemos fazer julgamentos em relação à ela. Assim como faz as pessoas agirem com maior hostilidade, o que pode levar a consequências letais.

 

E até que possamos voltar a nos abraçar, beijar, apertar as mãos uns dos outros, e a nos socializar novamente de maneira normal, a psicologia pode nos ajudar a fazer as interações virtuais ficarem mais significativas. Eis algumas sugestões que estamos trabalhando com as crianças e jovens nas aulas online :

  • Conversar "diretamente" com alguém, ou sentir que alguém está    falando diretamente com você, usando pistas sociais explícitas, tais como: sorrir quando o outro está falando ou quando você vê o outro na tela, fazer mímicas representando saudações e sentimentos.
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  • Dar retornos rápidos sinalizando que você está conectado e atento ao que está sendo falado pelo outro. Repetir e confirmar o que o outro lhe diz. 
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  • Olhar no olho, enquadrar bem o seu rosto e manter-se visível sempre. Evite congelar a sua imagem, pois causa a impressão de desinteresse no outro.
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  •  Para atender a nossa necessidade de toque, prestar atenção na mesma coisa e ao mesmo tempo é fundamental.
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  • Agir instantaneamente, pois nosso cérebro é banhado por uma "recompensa social", e isso é muito valioso.

Nada se compara à experiência de estar ao vivo! Mas estamos nos reinventando para nos mantermos firmes nesse nosso lindo e desafiador propósito de transformar vidas!

E assim como no jejum forçado por um dia inteiro há a fome por comida, no isolamento social há a "fome por contato" presencial.

Cuidados especiais em como podemos controlar e regular as nossas emoções que virão com o nojo, e como podemos evitar causar no outro desconforto ao perceber que estamos sentindo isso em relação a ele?

Como falar sobre isso? Como não demonstrar exagero e repulsa de forma a causar sofrimento e emoções negativas nos outros? 

Será necessária uma reeducação emocional e um retorno gradual, em que novas atitudes, novos comportamentos e uma maneira cordial e respeitosa de comunicar tudo isso, criando uma rotina que traga tranquilidade, segurança e confiança em todos na comunidade. Mas isso a nossa escola já está investindo, crianças e jovens estão lidando com essas questões socioemocionais e desenvolvendo habilidades de comunicação durante as aulas remotas pelo nosso Programa de Convivência Ética, Bem-estar e Autorrealização. 

Cuidado extra todos terão que tomar, pois se o retorno não for extremamente atento a essas questões comportamentais, haverá um caos nos relacionamentos futuros e talvez traumas e rompimentos em relacionamentos por pura falta de autorregulação e respeito mútuo.  Estamos atentos e nos preparando quanto a esse suporte emocional.

Vamos focar no que realmente é importante, e cuidar para afastar os exageros, pânico, terror, repulsa, enfim, as expressões exageradas de sentimentos negativos. A nossa segurança emocional precisa ser levada em conta! 

Estamos prontos para oferecer um ambiente saudável e positivo, onde reinará a esperança, o respeito, a tolerância, a empatia e a paciência, com todos os cuidados necessários para a   preservação da saúde e higiene, acreditando que vamos ter que nos adaptar, mas que tudo vai passar.

Cuidemos então da nossa imunidade biológica e mental para o nosso retorno próximo! Tomaremos todas as medidas para o acolhimento e para o retorno mais agradável e responsivo de toda a nossa comunidade escolar!

Até breve!

Abraços de Girafa!

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Especialista em Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Etica. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.