Empreendedorismo na Infância?

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Tenho visto ultimamente muitas escolas usando a palavra empreendedorismo na infância e confesso que isso me assusta um pouco.

A criança nasce e por si só já é uma curiosa em potencial, o mundo para ela é infinito de possibilidades e novidades e ela não vê a hora de poder conhecer, pegar, ver, ouvir, testar, subir, enfim, degustar, morder, ou seja, explorar isso tudo!

Eu acredito na infância do mundo lúdico, da brincadeira, do faz de conta, do cair e se levantar, do brincar e se sujar com tinta, com água, com a terra, areia, lama, da verdadeira experiência. Chorar, rir, sentir raiva, dor, fome, nojo, alegria.

Desde muito cedo vejo alguns pais oferecerem para seus filhos celulares, Ipads no berço, com a boa intenção da criança ficar quieta, porém mal sabem que ao mesmo tempo estão subtraindo da vida delas, a curiosidade, a exploração, a vivência, e criando pessoas passivas e sem proatividade, aceitando tudo sem se relacionar, apenas se distraindo.

Crianças que já estão aprendendo que o mundo virtual é a solução para tudo, e que é mais importante do que brincar ou fazer nada com seus pais, irmãos, amigos, primos.

Pois é nessa distração que está o perigo! 

Quanto mais seduzido pela telinha,o pequeno irá se exercitar menos, terá menos curiosidade sobre o mundo ao seu redor, vai falar e interagir menos com as pessoas, e vai se tornando introspectivo, sem as devidas condições para os relacionamentos que irá viver com seus amigos na escola, no parquinho, nas festinhas.

Distração para comer vai levar a criança a não tomar consciência do que está comendo e de quanto come, vai comer demais e terá grandes chances de se tornar um adolescente ou adulto obeso. 

Deixar que a criança brinque e explore materiais diversos e outras situações naturais das brincadeiras, já estão contribuindo para a vida adulta dele e a se tornar um empreendedor.

Ele não será empreendedor se perder a chance de viver na sua infância experiências que o farão honesto,humilde, colaborativo, cooperativo, empático, generoso, curioso, autoconfiante, seguro, comunicativo, respeitoso; todas as habilidades sociais e de vida que viverá primeiramente através das brincadeiras. 

Eu não preciso colocar meu filho dentro de um laboratório maker na escola antes de determinada idade pois a infância dele já é um grande laboratório repleto de experiências reais. Ela já vive isso em sua essência! Não há necessidade de programação.

Estas vivências serão fundamentais para que ele em crescimento vá elaborando as outras habilidades para ser um adulto empreendedor.

Portanto vejo que a educação infantil é o laboratório que devemos oferecer aos nossos filhos, como o lugar onde ele viva com intensidade e devida qualidade, experiências próprias para a sua idade e que não seja precocemente oferecido para ele um mundo na qual ele não terá o mínimo de maturidade para suportar.

Nada vai substituir as experiências da primeira infância e deslocar essas experiências para o mundo do empreendedorismo adulto, já é algo que seria devastador a longo prazo.

É na primeira infância que ele constrói a sua personalidade, a sua identidade e a imagem de si mesmo que vai carregar para a vida toda.

Portanto vamos respeitar o tempo dos nossos pequenos e oferecer à eles um mundo de experiências adequadas para as idades e dentro do mundo infantil sem atropelar o desenvolvimento por conta das ansiedades que são, meramente dos adultos.

Abraços de Girafa!

 

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Formação Ética. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.