O que preciso saber antes de comprar um celular para o meu filho?"

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Uma em cada três crianças no Reino Unido entre cinco e quinze anos, tem seu próprio tablet e uma em cada três crianças de oito a onze anos tem seu próprio smartphone e ainda 38% das crianças entre dois e cinco anos possuem tablet, 32% um celular. Nada muito diferente da realidade no Brasil, mas a questão é que essa decisão de dar acesso aos nossos filhos ao mundo digital é mais delicada do que parece ser e precisamos nos atentar para um mundo repleto de situações inusitadas e novas que talvez sejam inesperadas até para os adultos.

A maioria das crianças em idade latente (quatro a sete anos), não tem habilidades cognitivas suficientes para adiar a gratificação, isto quer dizer que elas têm pouca capacidade de esperar por algo. Assim como apresentam ainda um relógio interno que não registra com exatidão a passagem do tempo, sendo difícil reconhecer o tempo de uso do aparelho digital. Se ninguém as chamar a atenção, passarão horas e horas sem perceber o quanto estiveram focadas na tela.

Nessa idade também encontram dificuldades de autorregulação, portanto procuram a satisfação imediata de seus desejos e necessidades. O tão chamado "quererismo": "Eu quero agora".

Quanto mais velhas as crianças ficam, vão adquirindo a capacidade de adiamento das gratificações e esperar pelas recompensas e combinados.

Esperar não é uma tarefa facilmente atendida por elas nessa idade, mesmo que o pedido esteja vindo de alguém com autoridade, pois não compreendem os benefícios de esperar para ter mais depois. 

Ao avançar para a adolescência, teoricamente elas deveriam conseguir controlar mais seus impulsos através da cognição, mas temos visto isto ser bem difícil para muitos.

Em geral, possuir o seu próprio aparelho dará à criança a ilusão de que terá o controle. No caso das crianças mais velhas isso poderá ocorrer caso consiga se autorregular diante dos combinados e das regras, mas nos menores é preciso maior atenção. 

Resumindo, caso não encontrem regras claras e alguém para controlá-las quando necessário, ficarão no aparelho continuadamente.

O importante aos pais é permanecerem firmes com seus posicionamentos e dar continuidade mesmo perante a argumentos, birras e atitudes resistentes de seus filhos, pois estamos falando de um ambiente de extrema vulnerabilidade.

Quando seu filho pede para comprar um par de patins ou um skate, você com certeza irá se preocupar com a segurança física dele certo? Vai pensar em acessórios para que ele não se machuque em caso de quedas, como capacete ou joelheira, pelo menos até que ele tenha adquirido equilíbrio e confiança necessários para estar sem esses equipamentos. Vai ficar por perto ou escalar um cuidador para isso, determinar o local e tempo de uso, enfim terá todo um planejamento antecipado para esse novo objeto que entrou na vida do seu filho.

O mesmo se aplica à compra de um smartphone, Ipad, videogame, ou outro dispositivo digital, ou seja, você precisa estabelecer um plano de uso do aparelho digital com seu filho, e acompanhar esse planejamento atentamente, pois a segurança psicológica, emocional e até física estará em risco caso não houver acompanhamento e orientação sobre como navegar por esse mundo viciante.

Desde cedo elas assim aprenderão, progressivamente através dessas vivências, ser responsáveis pela sua identidade digital, a partir de demonstrações de equilíbrio e responsabilidade ao navegar, de início junto aos pais, sob sua vigilância e acompanhamento, mostrando a eles os perigos ao se depararem com falsas identidades, profiles fakes e assédios de estranhos entre tantas outras situações.

Assim como tudo tem um lado positivo, apresentar a eles as mais diversas facilidades e benefícios que esse mundo nos trouxe e como podemos fazer uso delas para o bem-estar físico, emocional e psicológico através de experiências gratificantes e valorosas junto a vocês.

Desta forma a criança desde cedo vai experienciar valor e compreender o quanto pode ser valioso e precioso esses momentos em família, e vão atribuir valores positivos a isso, sendo que se for algo precioso para elas, vão com certeza tomar mais cuidado. 

Essa diferenciação só vai depender do ambiente que os pais e cuidadores vão construir ao redor da criança.

Essa foi a nossa pauta de hoje e nos encontramos em breve!

 

Abraços de Girafa!

 

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Formação Ética. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.