Quando o meu filho pratica o Bullying Virtual

 

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Nos tempos atuais, não é raro nos darmos conta que nossos filhos podem praticar o cyberbullying. Muitas vezes sabemos através da escola, pois grande parte das situações de conflitos acabam refletindo no ambiente escolar. 

O ambiente virtual causa nas crianças e nos jovens a falsa impressão de estarem livres para fazer tudo o que desejam e que não serão descobertos. Eles não esperam que possam ser punidos por seus atos online. Mas a verdade é que os pais também acabam respondendo legalmente pelos atos dos filhos online e isso precisa ser bem esclarecido aos filhos.

Ensiná-los a pensar antes de postar é a primeira regra que os pais devem ensinar. O que estão prestes a publicar é algo que todos vão gostar de ler? Ofende alguém? 

Li um livro com a seguinte sugestão de combinado: Imaginar que os pais estão atrás deles lendo o que estão digitando, e se não for adequado para os pais lerem, é o tipo de coisa que não deveriam postar. 

Assim como, as mesmas regras que aplicamos no mundo real servem para a internet, afinal não falamos tudo na frente dos outros e tomamos muitos cuidados para não ofender, não julgar, não sermos desrespeitosos, tudo isso deve ser preservado também no universo online.

Se você compartilhar um post de outra pessoa, na qual ela ofende ou expõe alguém, você também responde por ele, portanto pode estar cometendo cyberbullying e não se deu conta disso.

A grande diferença entre bullying e cyberbullying é que no bullying são necessárias repetidas provocações, ameaças, intimidações, violências físicas ou psicológicas; intencionais às vítimas, em atos de humilhação ou discriminação e o agressor o faz por ter uma platéia que se torna muda e cega e acha graça do ato por terem medo de serem o próximo alvo. Acontece entre os pares e está intimamente relacionada ao exercício do poder infanto-juvenil. As agressões acontecem de forma planejada para satisfazer a platéia.

Já no cyberbullying uma única agressão difamatória ou constrangedora nas redes sociais pode gerar centenas de curtidas, o caráter repetitivo da agressão já é configurado através dos likes, compartilhamentos e comentários. Em apenas uma publicação, uma pessoa sofrerá ataques de uma centena e talvez milhares de vezes. O dano à imagem continua sendo reproduzido e novas curtidas e comentários surgem, de maneira infindável.

Podemos afirmar que as consequências são tanto ou até mais graves do que no bullying presencial, e é visto por muitos como algo sem importância ou brincadeira.

Os efeitos psicológicos sofridos pelas vítimas chegam a ser devastadores, e interferem na suas vidas pessoais fora do mundo digital.

Hoje o cyberbullying é considerado a maior forma de agressão psicológica do mundo contemporâneo, chegando até a ocasionar suicídios nas  suas vítimas.

Sabemos que a prática do bullying não é recente e não é nenhuma novidade, porém hoje já existe a Lei 13.185/2015, que entrou em vigor em 7 de Fevereiro de 2016, e que instituiu o Programa de Combate ao Bullying ou intimidação sistemática.

Em nossa escola trabalhamos seriamente com um programa de convivência ética, bem-estar e autorrealização, no qual desde os anos do infantil, nossos pequenos vivenciam experiências para se tornarem pessoas que respeitam e que recebam respeito. Pessoas preparadas para compreenderem que o mundo não é só delas e que não gira em volta delas, ou seja, compreender que a colaboração, cooperação e empatia são necessárias para todos os relacionamentos. Nossos alunos são preparados para um ambiente onde o bullying seja altamente combatido e caso acontecer, será amplamente orientado de forma segura tanto para o agressor como para a vítima, pois ambos merecem orientações.

Não acontece como apenas uma disciplina, embora o tenham, mas sim pulverizada em nossa cultura e percorrendo por todas as vertentes escolares. Criamos uma cultura do respeito e prezamos pela continuidade dela em cada colaborador presente, pois aqui todos serão responsáveis por todos e por tudo o que ocorrer.

Para tanto, é necessário encontrarmos o apoio de todas as famílias, primeiramente dos pais, na qual se comprometem a educar seus filhos também em casa para que sejam responsáveis ao navegarem pelas redes sociais, assim como ao vivo, pessoalmente.

Conversar com seus filhos sempre que possível e estar perto deles quando estão conectados com o mundo virtual, é muito importante, pois dá a oportunidade de tirá-los do modo hipnose causado pela telinha.

Existem livros maravilhosos para apoiar os pais em relação à educação digital, entre eles muitos estão postados aqui mesmo no blog da Mamãe Girafa. 

Acredito que a mais poderosa ferramenta para o combate ao bullying seja pela educação de crianças, jovens e adultos.

Particularmente gosto muito da abordagem do Psicólogo Dr Cristiano Nabuco de Abreu que já publicou vários livros e talvez seja hoje uma das autoridades mais respeitadas no Brasil sobre o assunto de dependência digital.

Continuamos na próxima semana!

 

Abraços de Girafa!

Ana Cláudia Favano

Psicóloga, Pedagoga e Educadora Parental

Gestora da Escola internacional de Alphaville

 

Tópicos ESCOLA BILÍNGUE, ALPHAVILLE, EDUCAÇÃO INFANTIL

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Ana Cláudia Favano
Gestora da Escola Internacional de Alphaville. Psicóloga, Pedagoga, Educadora Parental pela PDA/USA. Atuação em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Formação Ética. Dedicada à leitura, interessada por questões políticas, mobilizada grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.